terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Destrua Este Post

   Olô

   Creio que todos já ouviram falar do livro Destrua Este Diário, de autoria de Keri Smith. Ele está bem famoso e eu amei a proposta assim que ouvi falar, por isso enchi meus pais durante um mês para me darem e esperei mais um para conseguir comprar, porque eles esgotam bem rapidinho. Enfim, Keri nos mostra que pode haver arte no meio da destruição e quebra aquele conceito de livro em perfeito estado, nos dando sugestões de como destruir maravilhosamente cada uma das paginas e o livro num todo.

Já me enchi de nanquim, mas sei que tem gente pior por aí

humilhando parte 1: página dos circulos
    Esse livro é absolutamente genial, é sério. Não apenas pelas sugestões, por mais legais que elas sejam, mas pelo conceito. Existem milhões de cadernos de desenho, blocos de folhas e scketchbook's por aí, mas todos os usam, normalmente, para o simples proposito para o qual foram criados. Poderiamos destrui-los? Fazer o que quisermos com eles? Sim, poderiamos, mas nunca o fazemos; deixamos eles no melhor estado possível, assumimos que dinheiro foi gasto naquilo e que devemos preservar como conseguirmos. Justamente por isso o Destrua Este Diário é genial. Meu irmão me disse "você pagou R$25,00 pra destruir a bagaça?", paguei e pagaria de novo. Quando saí da livraria, sentei no banco em frente, roubei uma caneta da minha mãe e comecei a riscar e furar páginas, roubamos adesivos de frutas do Carrefour pra que eu os colasse nele e continuei riscando no ônibus. No momento em que você abre o livro com a caneta na mão a sensação de liberdade te invade e te da vontade de pular, gritar, sair dançando Come on Eileen no meio do shopping e abraçar a moça do McDonalds (tudo bem que no caso a moça do McDonalds é uma amiga minha então eu realmente a abracei, mas whatever). É sério, comprem sa bagaça, a sensação de destruir é maravilhosa.


Parte 2: pagina de costura. Por Sanny Tancredo
    Falando sobre as páginas individualmente, algumas eu ja esperava (como a de escrever e desenhar com a mão esquerda, jogar tinta e fechar o livro, escrever em movimento e mais algumas), mas outras são tão inesperadas que a primeira reação é "ãh?". Se você buscar por Destrua Este Diário no google, vai ver trocentas imagens de como destruir de forma imensamente criativa, o que me deixa até magoada, pq eu destrui pouco me lixando pra criatividade e agora essas pessoas cool fazem parecer que eu não aproveitei o livro ;-; mas é sério, destruam loucamente, não façam só pra tirar foto, é uma delicia.

Parte 3: Dê para alguem sua página favorita.

















Falando em dar para alguém a página favorita, esta é a minha. Bom, não esta já desenhada, porque ainda não a fiz, mas ela em si é tremendamente genial. É a unica página preenchida por texto do livro inteiro, e a função do texto é remeter à um livro escolar ou algo do genero que sempre rabiscamos. Genial e o texto em si é perfeito, mesmo que seja só ocupação de espaço.






 
Outra página que é tão boa quanto é a "Desfaça-se desta pagina. (jogue-a fora) Aceite a perda.". Sério, isso é genial. Você tá lá, cortando, rasgando, cuspindo e vendendo as outras páginas, mas de repente você tem uma que serve simplesmente pra que você se desfaça e o que acontece? Você se apega a ela. Não sei se isso aconteceu só comigo, mas estou pensando numa forma bem bonita de me livrar, porque esta merece. Acho q vou fazer um funeral e tocar Sound of Silence enquanto me desfaço dela. De verdade.



    Se tem uma coisa que eu recomendo nesse mundo além de As Vantagens de Ser Invísivel é essa bagaça. Não existe sensação igual, é simples e ao mesmo tempo impossível de descrever. Parece loucura, mas esse livro já me fez chorar e me abrir comigo mesma, me diverti e adorei colar chiclete nele, porque agora o cheiro é uma delícia. Comprem. Já.

~adicionando~

   Um pouco acima no post eu disse que faria uma cerimonia legal pra página de que devemos nos livrar, lembram? Se não lembram procurem um médico ou não apenas passem os olhos pelo post e o leiam inteiro. Hoje Jon e Rod ~os mesmos nomes dos adm's, ó que coincidencia~ vieram em casa (enfrentando mares, desertos e atravessando um rio caudaloso) e, juntos, queimamos a página ao som de Heroes - David Bowie (também imitamos cenas de Perks e minha cachorra atacou eles com muito amor). Era para termos gravado, mas me deixaram com o celular na mão enquanto colocavamos fogo na página, e o dito cujo começou a chegar perto do meu dedo, então entrei em pânico e deslizei a tela do celular sem querer, saindo da camera. Mas enfim, a foto:

Dane-se que essa sapatilha me deixe ainda mais pálida, amei ela.




~Gio



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Carta da Semana #9


14 de janeiro de 1992
Querido amigo,
Estou me sentindo um grande impostor porque deixei toda a minha vida para trás e ninguém sabe disso. É difícil sentar na minha cama e ler como eu sempre fiz. É difícil até falar com meu irmão ao telefone. O time dele terminou em terceiro no nacional. Ninguém contou a ele que nós não vimos o jogo por minha causa.
Fui à biblioteca e procurei por um livro, porque estava assustado. De vez em quando as coisas começam a se mexer novamente e os sons ficam graves e surdos. E eu não consigo colocar os pensamentos em ordem. O livro dizia que às vezes as pessoas tomam LSD e não conseguem sair realmente dele. Ele diz que o LSD aumenta um tipo de transmissor cerebral. Diz que a droga corresponde essencialmente a doze horas de esquizofrenia; se você já tem muito desse transmissor cerebral, não consegue sair dessa.
Comecei a respirar mais rápido na biblioteca. Foi muito ruim, porque me lembrei de algumas crianças esquizofrênicas no hospital quando eu era pequeno. E o pior é que foi um dia depois de eu ter percebido que todos os garotos estavam usando suas roupas novas de Natal, então decidi vestir meu novo terno que Patrick me deu para ir à escola, e caçoaram de mim por nove horas seguidas. Foi um daqueles dias ruins. Matei a primeira aula e fui procurar Sam e Patrick do lado de fora.
― Tá elegante, Charlie ― disse Patrick, sorrindo.
― Pode me dar um cigarro? ― eu disse.
Não conseguia ver a mim mesmo dizendo "filar um cigarro". Não na primeira vez. Eu não consegui.
― Claro ― Patrick respondeu.
Sam o deteve.
― O que foi, Charlie?
Contei a ela o que havia de errado, o que levou Patrick a ficar me perguntando se foi uma "viagem ruim".
― Não, não. Não é isso.
Eu estava ficando bem perturbado.
Sam colocou o braço em torno dos meus ombros e disse que sabia o que tinha acontecido comigo. Disse para eu não me preocupar com isso. Depois que você faz isso, você se lembra de como as coisas se parecem. É só isso. É como uma estrada que fica cheia de curvas. E como seu rosto era de plástico e seus olhos têm tamanhos diferentes. Tudo está na sua cabeça.
Depois disso ela me deu um cigarro.
Não tossi quando traguei. Ele me acalmou. Aprendi que fazia mal em uma aula, mas não era verdade.
― Agora concentre-se na fumaça ― disse Sam.
E eu me concentrei na fumaça.
― Agora parece normal, não é?
― Hum-hum ― Acho que foi o que eu disse.
― Agora olhe para o piso do pátio. Ele está se mexendo?
― Hum-hum.
― Muito bem... Agora concentre-se na folha de papel que está ali no chão.
E eu me concentrei na folha de papel que estava no chão.
― O piso está se movendo agora?
― Não, não está.
A partir de agora, para que você se sinta bem, para que você nunca mais tome ácido de novo, Sam passou a explicar o que ela chamava de "o êxtase". O êxtase acontece quando você não focaliza nada e todo o ambiente desaparece e se move em volta de você. Ela disse que isso era em geral metafórico, mas, para as pessoas que nunca devem tomar ácido, era real.
Foi aí que eu comecei a rir. Estava bastante aliviado. E Sam e Patrick sorriram. Fiquei contente de eles sorrirem também, porque eu não estava suportando a cara de preocupação deles.
As coisas pararam de se mover na maior parte do tempo desde então. Não matei a outra aula. E acho agora que não me sinto como um grande impostor por tentar deixar minha vida para trás. Bill achou meu trabalho sobre O apanhador no campo de centeio (que escrevi em minha nova máquina de escrever antiga!) o melhor que já fiz. Ele disse que eu estava me "desenvolvendo" em um ritmo rápido e me deu um livro diferente como uma "recompensa". É Pé na estrada, de Jack Kerouac.
Agora fumo mais de dez cigarros por dia.
Com amor,
Charlie.

~rod

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Élfico - Dicionário e Tradutor

Hillo \o\
gifzinho hipnotizante o.o
   Hoje farei um post sobre uma ramificação de um assunto sobre o qual nunca achei que falaria: O Senhor dos Anéis. Sim, eu nunca achei que faria um post sobre o tão aclamado The Lord of The Rings porque nunca vi os filmes e sinceramente nem pretendo ver (nerds, não me matem). Não negando a excelência da série, eu durmo toda vez que tento assistir o primeiro filme. Algumas relações não nasceram pra acontecer, temos que aceitar e seguir em frente.
   Mas agora, o tema do post: línguas élficas. Acho que é de conhecimento geral que normalmente, quando um romance épico possui uma ou várias línguas que divergem da do personagem principal (explico essa frase: os hobbit's provavelmente não falam inglês, mas como seu dialeto é o principal ele não precisa de uma tradução no contexto da história) alguma pessoinha inteligente é contratada para criar no minimo um grosso do dialeto em questão. No caso de LoR, o proprio Tolkien criou os dialetos, sendo eles o Quenya e o Sindarin. Foi baseado nestas línguas que Tolkien começou a desenvolver o seu mundo. Para ele, primeiro vinha a palavra, depois a história. A composição para ele não era um passatempo (como foi 'acusado' na época), mas um trabalho filológico. Ele criou um mundo onde suas línguas pudessem ser faladas, e lendas para rodeá-las.¹ Disse ele:

"O Volapuque, Esperanto, o Ido, o Novial, são línguas mortas, mais mortas do que antigas línguas sem uso, porque seus inventores jamais criaram lendas para acompanhá-las."

~Lendo a história dele aqui, até repensando o início do post, talvez um dia esse relacionamento dê certo (em nome do autor)~

   Enfim, resolvi escrever esse post porque ontem o adm Jon estava escolhendo seu nick em um RPG e me disse várias palavras em élfico para que eu o ajudasse a escolher, e todas elas significavam Mago + alguma coisa legal. Partindo disso, eu lhe disse "Coloque Implacável." e ele me disse que colocaria se eu encontrasse a dita cuja palavra em élfico. Me envergonho em informar que não encontrei a palavra, mesmo procurando muito por um bom tempo, e justamente por isso estou fazendo esse post. Sabem, deveria ser mais fácil aprender élfico, o mundo seria um lugar melhor se tivesse élfico no google translate. Outdoors deveriam ser escritos em élfico. Entrei em vários fóruns, passei por enciclopédias de LoR, vários sites, uns 3 que passam seu nome pras línguas de LoR pelos caracteres, abri várias imagens de alfabetos e vi pessoas traduzindo as palavras à partir de sua etimologia na nossa língua. Foi um inferno. Hoje não tive coragem de procurar de novo, mas acho que eu sempre terei rancor de não ter encontrado a palavra implacável (ficaria realmente foda, todos sabem) e procurarei mais por ela. Depois de tanta lenga lenga, meu real propósito é lhes deixar os links que achei, mesmo que não possuam a única palavra que eu queria, para você nerd que quer que seu nome em um jogo nerd seja ainda mais nerd do que o normal.


domingo, 5 de janeiro de 2014

DDD (17)


"Essa era eu, Deb, até que eu morri."

   O post de hoje é sobre um pouco de tudo, a polícia no terceiro mundo e reciclagem de pneus*. É sobre Drop Dead Diva. (DDD, ba dum tss**).
   Drop Dead Diva é uma série que estreou em 12 de julho de 2009 nos Estados Unidos pelo canal Lifetime, e no Brasil em 16 de novembro de 2009 pelo canal Sony Entertainment Television, com atuais 5 temporadas, estando a 4° sendo exibida atualmente pela Sony. A atriz Brookie Elliot é a protagonista Jane/Deb e Jane/Jane. Fará sentido logo. Também temos no elenco April Bowlby, no papel de Stacy (Kandi em Two and a Half Men), e Margaret Cho, que convenhamos, é uma mulher foda que foi jurada da final de Best INK e faz o papel de Teri Lee, assistente pessoal de Jane. Não vou falar o elenco inteiro e pronto, só mais o Lex Medlin no papel de Owen French porque gosto dele. Eu comecei a assistir no final da segunda temporada e ainda não me dignei a assistir o começo, acabei a quarta esses dias e aconteceu algo reviravoltantemente reviravoltante e preciso começar a quinta, então deixo o inicio para o futuro, por curiosidade.
 

Carta da Semana #8


4 de janeiro de 1992

Querido amigo,
Desculpe pela última carta. Para dizer a verdade, eu não me lembro muito bem dela, mas sei, pelo modo como acordei, que não deve ter sido muito legal. Tudo de que me lembro do resto da noite foi ter procurado por toda a casa por um envelope e um selo. Quando finalmente encontrei, escrevi seu endereço e desci a colina até a agência dos Correios porque eu sabia que se não colocasse numa caixa de correio da qual não pudesse pegar de volta, a carta nunca seria enviada.
É estranho como aquilo pareceu importante na hora.
Depois que fui à agência dos Correios, coloquei a carta na caixa. E me senti completo. E calmo. Depois comecei a vomitar, e não parei de vomitar até que o sol nascesse. Olhei para a estrada e vi um monte de carros, e eu sabia que eles estavam indo para a casa de seus avós. E eu sabia que um monte deles veria o jogo de futebol do meu irmão mais tarde à noite. E minha mente ficou jogando amarelinha.
Meu irmão... futebol... Brad... Dave e a garota no meu quarto... os casacos... o frio... o inverno... "Folhas de Outono"... não conte a ninguém... seu pervertido... Sam e Craig... Sam... Natal... máquina de escrever... presente... tia Helen... e as árvores se mexendo... elas não paravam de se mover... então deitei e fiz um anjo de neve.
O policial me encontrou lívido e dormindo.
Não parei de tremer de frio por um bom tempo depois que minha mãe e meu pai me levaram de carro ao pronto-socorro. Ninguém ficou muito nervoso, porque essas coisas costumavam acontecer comigo quando eu era pequeno, quando estava indo ao médico. Eu vagava por aí e caía no sono em algum lugar. Todo mundo sabia que eu tinha ido a uma festa, mas ninguém, nem mesmo a minha irmã, achou que foi por causa disso. E eu mantive a boca fechada porque não queria que Sam e Patrick, ou Bob, ou qualquer pessoa, tivessem problemas. Mas, principalmente, eu não queria ver o rosto de minha mãe e especialmente o do meu pai se eles ouvissem a verdade de mim.
Então, não contei nada a ninguém.
Só fiquei quieto e olhei em volta. E percebi certas coisas. Os pontos no teto. Ou como o cobertor que me deram era áspero. Ou como o rosto do médico parecia de borracha. Ou como tudo era um sussurro ensurdecedor quando ele disse que talvez eu devesse começar a ver um psiquiatra novamente. Foi a primeira vez que um médico falou com meus pais na minha presença. E o jaleco dele era tão branco. E eu estava tão cansado.
Tudo em que consegui pensar durante o dia todo era que tínhamos perdido o jogo de futebol do meu irmão por minha causa, e esperei que minha irmã tivesse se lembrado de gravar.
Felizmente, ela gravou.
Voltamos para casa e minha mãe fez um chá para mim, e meu pai me perguntou se eu queria sentar e assistir ao jogo, e eu disse que sim. Vimos meu irmão fazer uma grande partida, mas dessa vez ninguém torceu muito. Todos os olhos estavam em cima de mim. E minha mãe disse um monte de palavras de estímulo sobre como eu estava indo bem na escola esse ano e que talvez o médico me ajudasse a colocar as coisas em ordem. Minha mãe pode ficar quieta e falar ao mesmo tempo quando está sendo positiva. Meu pai não parava de me dar "tapinhas carinhosos". Os tapinhas carinhosos são soquinhos suaves de encorajamento que são dados no joelho, nos ombros e no braço. Minha irmã disse que pode me ajudar a ajeitar o cabelo. Era estranho ver os três dando muita atenção a mim.
― Que quer dizer com isso? O que há de errado com meu cabelo?
Minha irmã ficou olhando, pouco à vontade. Levei as mãos ao cabelo e percebi que boa parte dele se fora. Sinceramente não me lembro de quando fiz isso, mas, a julgar pela aparência do meu cabelo, eu devo ter pego uma tesoura e começado a cortar sem nenhuma estratégia. Faltavam grandes chumaços em toda parte. Como o corte de um açougueiro. Não me olhei no espelho na festa por muito tempo porque meu rosto estava diferente e lutava contra mim. Ou eu teria percebido.
Minha irmã me ajudou a arrumá-lo um pouco e eu tive sorte, porque todos na escola, inclusive Sam e Patrick, acharam que estava legal.
"Chique" foi o que disse o Patrick.
Apesar disso, decidi nunca mais tomar LSD.
Com amor,
Charlie.

~rod