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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Carta da Semana #12


9 de fevereiro de 1992

Querido amigo,
Tenho de dizer uma coisa sobre minha última carta. Eu sei que Sam nunca me convidaria para dançar. Sei que ela traria Craig, e se não fosse Craig, então o Patrick, porque a namorada de Brad, Nancy, foi com Brad. Acho que Mary Elizabeth é muito esperta e uma pessoa legal, e estou feliz que ela seja meu primeiro encontro. Mas depois que disse sim, e Mary Elizabeth anunciou isso ao grupo, eu queria que Sam ficasse com ciúmes. Sei que é errado querer uma coisa assim, mas eu realmente queria.
Mas Sam não ficou com ciúmes. Para dizer a verdade, acho que ela não poderia ter ficado mais feliz, o que foi duro. Ela chegou a me dizer como tratar uma garota em um encontro, o que foi muito interessante. Ela disse que, com uma garota como Mary Elizabeth, você não deve dizer que ela está bonita. Deve dizer a ela como sua roupa é legal, porque a roupa é uma escolha dela, enquanto o rosto não é. Ela também disse que, com algumas garotas, você deve fazer coisas, como abrir a porta do carro e comprar flores, mas com Mary Elizabeth (especialmente em sua festa Sadie Hawkins), eu não devia fazer isso. Então perguntei a ela o que devia fazer e ela disse que eu devia fazer um monte de perguntas e não me importar se Mary Elizabeth não parasse de falar. Eu disse que isso não parecia muito democrático, mas Sam falou que ela faz isso o tempo todo com os garotos.
Sam disse que as coisas sexuais eram complicadas com a Mary Elizabeth, porque ela teve namorados antes e é muito mais experiente do que eu. Ela disse que a melhor coisa a fazer quando eu não souber como agir durante qualquer coisa sexual é prestar atenção em como a pessoa está te beijando e beijá-la da mesma maneira. Ela disse que isso é muito sensato, e eu certamente quero ser.
― Você pode mostrar para mim? ― perguntei.
E ela respondeu:
― Não banque o espertinho.
Conversamos como às vezes fazemos. Isso sempre me faz rir. Depois que Sam me mostrou um isqueiro Zippo, eu perguntei mais sobre Mary Elizabeth.
― E se eu não quiser fazer nada de sexual com ela?
― Diga apenas que não está pronto.
― E isso funciona?
― Às vezes.
Eu queria perguntar a Sam sobre o outro lado de "às vezes", mas não queria ser muito inconveniente e não queria saber com tanta profundidade assim. Gostaria de deixar de ser apaixonado pela Sam. Eu gostaria muito.
Com amor,
Charlie.

~rod

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Carta da Semana #11


2 de fevereiro de 1992

Querido amigo,
Pé na estrada era um livro muito bom. Bill não me pediu para escrever um trabalho sobre ele porque, como eu disse, era "uma recompensa". Ele me pediu para visitá-lo em sua sala depois da aula para discutir o livro, e foi o que eu fiz. Ele fez chá, e eu me senti um adulto. Ele até me deixou fumar um cigarro na sala dele, mas me aconselhou a parar de fumar por causa dos riscos para a saúde. Até tinha um folheto na mesa dele, que me deu. Agora uso como marcador de livro.
Achei que Bill e eu íamos conversar sobre o livro, mas terminamos falando de "coisas". Foi ótimo ter tantas discussões. Bill me perguntou sobre Sam e Patrick e meus pais, e eu contei a ele sobre minha carteira de motorista e a conversa no Big Boy. Também contei a ele sobre meu psiquiatra. Mas não falei da festa ou de minha irmã e o namorado. Eles ainda estavam se vendo em segredo, o que minha irmã diz que só "inflamava a paixão".
Depois que falei a Bill de minha vida, pedi que ele falasse da dele. Foi legal também, porque ele não tentou ser legal e se relacionar comigo ou coisa assim. Ele estava sendo ele mesmo. Disse que fez a graduação em uma faculdade do Oeste que não dava notas, o que achei peculiar, mas Bill disse que foi a melhor educação que ele teve. Ele disse que me daria um prospecto de lá quando chegasse a minha hora.
Depois que foi para a Brown University, para a pós-graduação, Bill viajou pela Europa durante algum tempo, e, quando voltou para casa, se filiou ao Teach for America. Quando este ano acabar, ele acha que irá para Nova York e escreverá peças de teatro. Acho que ele ainda é muito novo, embora eu pense que seria rude dizer isso a ele. Perguntei se ele tinha namorada e ele disse que não. Ele pareceu triste ao dizer aquilo, também, mas decidi não me intrometer porque achei que seria muito inconveniente. Depois ele me deu outro livro para ler. Chamava-se Naked Lunch.
Comecei a ler quando cheguei em casa e, para dizer a verdade, não sei do que o cara está falando. Nunca disse isso ao Bill. Sam me disse que William S. Burroughs escreveu o livro quando usava heroína e que eu devia "seguir o fluxo". Então foi o que eu fiz. Ainda não tenho a menor ideia do que ele estava falando, e então desci as escadas para ver televisão com minha irmã.
O programa era Gomer Pyle e minha irmã estava muito quieta e mal-humorada. Tentei conversar com ela, mas ela me disse para calar a boca e deixá-la em paz. Então assisti ao programa por alguns minutos, mas fazia ainda menos sentido para mim do que o livro e decidi fazer meu dever de casa de matemática, o que foi um erro, porque matemática nunca fez sentido para mim.
Fiquei confuso o dia todo.
Então tentei ajudar minha mãe na cozinha, mas deixei cair uma panela e ela me disse para ir ler em meu quarto até meu pai chegar, mas foi a leitura que tinha começado com toda aquela confusão. Por sorte, meu pai chegou em casa antes que eu pegasse o livro de novo, mas ele me disse para parar de "me aboletar nos ombros dele como um macaco" porque ele queria ver o jogo de hóquei. Vi o jogo com ele por algum tempo, mas não conseguia parar de fazer perguntas sobre os países de origem dos jogadores, e ele estava "descansando os olhos", o que significa que estava dormindo, mas não queria me deixar mudar o canal. Então me disse para ver televisão com minha irmã, o que eu fiz, mas ela me disse para ajudar minha mãe na cozinha, o que eu fiz, mas ela me disse para ler em meu quarto. E foi o que eu fiz.
Já li cerca de um terço do livro e até agora está muito bom.
Com amor,
Charlie.

~rod

domingo, 19 de janeiro de 2014

Carta da Semana #10


25 de janeiro de 1992

Querido amigo,
Estou me sentindo ótimo! De verdade. Tenho de me lembrar disso na próxima vez em que tiver uma semana ruim. Já aconteceu com você? Já se sentiu muito mal, depois tudo passar e você não saber por quê? Eu tento me lembrar, quando me sinto ótimo como agora, que haverá outra semana terrível algum dia, então procuro guardar o maior número de detalhes que posso, e assim, na próxima semana terrível, vou poder lembrar esses detalhes e acreditar que vou me sentir bem novamente. Não funciona muito, mas acho muito importante tentar.
Meu psiquiatra é um cara muito legal. É muito melhor do que meu último psiquiatra. Conversamos sobre coisas que eu sinto, penso e me lembro. Como quando eu era pequeno, e aquela época em que andei pela rua no meu bairro. Eu estava completamente nu, segurando um guarda-chuva azul brilhante, embora não estivesse chovendo. E estava tão feliz, porque isso fez minha mãe sorrir. E ela raramente sorria. Então, ela tirou uma foto. E os vizinhos reclamaram.
Da outra vez, eu vi um comercial de um filme sobre um homem que fora acusado de assassinato, mas não havia cometido crime nenhum. Um cara do M*A*S*H era o astro do filme. Provavelmente por isso que eu me lembro dele. O trailer dizia que durante todo o filme ele tentava provar sua inocência, e que ele foi para a cadeia, apesar disso. Fiquei muito assustado. Fiquei assustado com o quanto aquilo me assustou. Ser punido por uma coisa que você não fez. Ser uma vítima inocente. Não quero passar por isso nunca.
Não sei se é importante contar tudo isso a você, mas, na época, achei que foi uma "ruptura". O melhor em meu psiquiatra é que ele tem revistas de música na sala de espera. Li um artigo sobre o Nirvana em uma das consultas, e não havia nenhuma referência a molho de mostarda ou alfaces. Eles ficaram falando dos problemas de estômago do cantor o tempo todo, apesar disso. Era estranho.
Como eu contei a você, Sam e Patrick adoravam sua nova canção, então acho que li o artigo para ter o que conversar com eles. No fim, a revista o comparava a John Lennon, dos Beatles. Contei isso a Sam mais tarde e ela ficou muito irritada. Disse que ele era como Jim Morrison, se fosse parecido com alguém, mas na verdade não era parecido com ninguém, somente consigo mesmo. Estávamos no Big Boy depois do Rocky Horror e começou uma baita discussão.
Craig disse que o problema com as coisas é que todo mundo sempre está comparando todos a todo mundo, e que por causa disso ele não acreditava nas pessoas, como em suas aulas de fotografia.
Bob disse que tudo isso era porque nossos pais não querem que a gente cresça e que eles ficam mortificados quando não podem nos comparar a alguma coisa.
Patrick disse que o problema era que, como tudo já tinha acontecido, era difícil explorar novos terrenos. Ninguém pode ser tão grande como os Beatles porque os Beatles já criaram um "contexto". O motivo de eles serem tão grandes era que não tinham ninguém a quem se comparar, então o céu era o limite.
Sam acrescentou que hoje em dia uma banda ou alguém se compararia aos Beatles depois do segundo disco, e sua própria voz naquele momento se perderia.
― O que você acha, Charlie?
Não me lembro de onde ouvi ou li isso. Disse que talvez fosse de Este lado do paraíso, de F. Scott Fitzgerald. Em algum ponto perto do fim do livro, o protagonista é apanhado por um homem mais velho. Os dois estão indo para a partida de futebol da Ivy League e têm essa discussão. O mais velho é estabelecido. O garoto está "esgotado".
De qualquer modo, eles têm uma discussão e o garoto é um idealista, pelo menos temporariamente. Ele fala de sua "geração insatisfeita" e coisas assim. E ele diz algo parecido com: "Não é uma época de heróis, porque ninguém deixará que isso aconteça." O livro se passa na década de 1920, que eu acho que foi ótima, porque imagino que o mesmo tipo de diálogo pode acontecer no Big Boy. Provavelmente aconteceu com meus pais e avós. Provavelmente estava acontecendo bem agora.
Então eu disse que achava que a revista estava tentando transformá-lo num herói, mas depois alguém descobriria alguma coisa que o tornaria inferior a um ser humano. E eu não sei por quê; para mim, ele é só um cara que escreve canções que muita gente gosta, e acho que isso era o bastante. Talvez eu esteja errado, mas todos na mesa começaram a falar nisso.
Sam culpou a televisão. Patrick culpou o governo. Craig culpou a "mídia corporativa". Bob estava no banheiro.
Não sei o que foi e não sei se acompanhei alguma coisa, mas me senti ótimo sentado ali conversando sobre nosso lugar nas coisas.
Foi igual a quando Bill me disse para "participar". Fui ao baile de ex-alunos, como já lhe contei antes, mas isso era muito mais divertido. Foi especialmente divertido pensar que as pessoas em todo o mundo estavam tendo conversas parecidas em seus equivalentes de Big Boy.
Eu teria dito isso na mesa, mas eles estavam se divertindo sendo cínicos e eu não queria estragar isso. Então, recuei um pouco na cadeira e observei Sam sentada perto do Craig, e tentei não ficar muito triste com aquilo. Tenho de dizer que não tive muito sucesso. Mas, a certa altura, Craig estava falando de algo, e Sam se voltou para mim e sorriu. Foi um sorriso de cinema em câmera lenta, e então tudo ficou bem.
Disse isso a meu psiquiatra, mas ele disse que era cedo demais para tirar conclusões.
Não sei. Só sei que tive um ótimo dia. Espero que você também.
Com amor,
Charlie.

~rod

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Carta da Semana #9


14 de janeiro de 1992
Querido amigo,
Estou me sentindo um grande impostor porque deixei toda a minha vida para trás e ninguém sabe disso. É difícil sentar na minha cama e ler como eu sempre fiz. É difícil até falar com meu irmão ao telefone. O time dele terminou em terceiro no nacional. Ninguém contou a ele que nós não vimos o jogo por minha causa.
Fui à biblioteca e procurei por um livro, porque estava assustado. De vez em quando as coisas começam a se mexer novamente e os sons ficam graves e surdos. E eu não consigo colocar os pensamentos em ordem. O livro dizia que às vezes as pessoas tomam LSD e não conseguem sair realmente dele. Ele diz que o LSD aumenta um tipo de transmissor cerebral. Diz que a droga corresponde essencialmente a doze horas de esquizofrenia; se você já tem muito desse transmissor cerebral, não consegue sair dessa.
Comecei a respirar mais rápido na biblioteca. Foi muito ruim, porque me lembrei de algumas crianças esquizofrênicas no hospital quando eu era pequeno. E o pior é que foi um dia depois de eu ter percebido que todos os garotos estavam usando suas roupas novas de Natal, então decidi vestir meu novo terno que Patrick me deu para ir à escola, e caçoaram de mim por nove horas seguidas. Foi um daqueles dias ruins. Matei a primeira aula e fui procurar Sam e Patrick do lado de fora.
― Tá elegante, Charlie ― disse Patrick, sorrindo.
― Pode me dar um cigarro? ― eu disse.
Não conseguia ver a mim mesmo dizendo "filar um cigarro". Não na primeira vez. Eu não consegui.
― Claro ― Patrick respondeu.
Sam o deteve.
― O que foi, Charlie?
Contei a ela o que havia de errado, o que levou Patrick a ficar me perguntando se foi uma "viagem ruim".
― Não, não. Não é isso.
Eu estava ficando bem perturbado.
Sam colocou o braço em torno dos meus ombros e disse que sabia o que tinha acontecido comigo. Disse para eu não me preocupar com isso. Depois que você faz isso, você se lembra de como as coisas se parecem. É só isso. É como uma estrada que fica cheia de curvas. E como seu rosto era de plástico e seus olhos têm tamanhos diferentes. Tudo está na sua cabeça.
Depois disso ela me deu um cigarro.
Não tossi quando traguei. Ele me acalmou. Aprendi que fazia mal em uma aula, mas não era verdade.
― Agora concentre-se na fumaça ― disse Sam.
E eu me concentrei na fumaça.
― Agora parece normal, não é?
― Hum-hum ― Acho que foi o que eu disse.
― Agora olhe para o piso do pátio. Ele está se mexendo?
― Hum-hum.
― Muito bem... Agora concentre-se na folha de papel que está ali no chão.
E eu me concentrei na folha de papel que estava no chão.
― O piso está se movendo agora?
― Não, não está.
A partir de agora, para que você se sinta bem, para que você nunca mais tome ácido de novo, Sam passou a explicar o que ela chamava de "o êxtase". O êxtase acontece quando você não focaliza nada e todo o ambiente desaparece e se move em volta de você. Ela disse que isso era em geral metafórico, mas, para as pessoas que nunca devem tomar ácido, era real.
Foi aí que eu comecei a rir. Estava bastante aliviado. E Sam e Patrick sorriram. Fiquei contente de eles sorrirem também, porque eu não estava suportando a cara de preocupação deles.
As coisas pararam de se mover na maior parte do tempo desde então. Não matei a outra aula. E acho agora que não me sinto como um grande impostor por tentar deixar minha vida para trás. Bill achou meu trabalho sobre O apanhador no campo de centeio (que escrevi em minha nova máquina de escrever antiga!) o melhor que já fiz. Ele disse que eu estava me "desenvolvendo" em um ritmo rápido e me deu um livro diferente como uma "recompensa". É Pé na estrada, de Jack Kerouac.
Agora fumo mais de dez cigarros por dia.
Com amor,
Charlie.

~rod

domingo, 5 de janeiro de 2014

Carta da Semana #8


4 de janeiro de 1992

Querido amigo,
Desculpe pela última carta. Para dizer a verdade, eu não me lembro muito bem dela, mas sei, pelo modo como acordei, que não deve ter sido muito legal. Tudo de que me lembro do resto da noite foi ter procurado por toda a casa por um envelope e um selo. Quando finalmente encontrei, escrevi seu endereço e desci a colina até a agência dos Correios porque eu sabia que se não colocasse numa caixa de correio da qual não pudesse pegar de volta, a carta nunca seria enviada.
É estranho como aquilo pareceu importante na hora.
Depois que fui à agência dos Correios, coloquei a carta na caixa. E me senti completo. E calmo. Depois comecei a vomitar, e não parei de vomitar até que o sol nascesse. Olhei para a estrada e vi um monte de carros, e eu sabia que eles estavam indo para a casa de seus avós. E eu sabia que um monte deles veria o jogo de futebol do meu irmão mais tarde à noite. E minha mente ficou jogando amarelinha.
Meu irmão... futebol... Brad... Dave e a garota no meu quarto... os casacos... o frio... o inverno... "Folhas de Outono"... não conte a ninguém... seu pervertido... Sam e Craig... Sam... Natal... máquina de escrever... presente... tia Helen... e as árvores se mexendo... elas não paravam de se mover... então deitei e fiz um anjo de neve.
O policial me encontrou lívido e dormindo.
Não parei de tremer de frio por um bom tempo depois que minha mãe e meu pai me levaram de carro ao pronto-socorro. Ninguém ficou muito nervoso, porque essas coisas costumavam acontecer comigo quando eu era pequeno, quando estava indo ao médico. Eu vagava por aí e caía no sono em algum lugar. Todo mundo sabia que eu tinha ido a uma festa, mas ninguém, nem mesmo a minha irmã, achou que foi por causa disso. E eu mantive a boca fechada porque não queria que Sam e Patrick, ou Bob, ou qualquer pessoa, tivessem problemas. Mas, principalmente, eu não queria ver o rosto de minha mãe e especialmente o do meu pai se eles ouvissem a verdade de mim.
Então, não contei nada a ninguém.
Só fiquei quieto e olhei em volta. E percebi certas coisas. Os pontos no teto. Ou como o cobertor que me deram era áspero. Ou como o rosto do médico parecia de borracha. Ou como tudo era um sussurro ensurdecedor quando ele disse que talvez eu devesse começar a ver um psiquiatra novamente. Foi a primeira vez que um médico falou com meus pais na minha presença. E o jaleco dele era tão branco. E eu estava tão cansado.
Tudo em que consegui pensar durante o dia todo era que tínhamos perdido o jogo de futebol do meu irmão por minha causa, e esperei que minha irmã tivesse se lembrado de gravar.
Felizmente, ela gravou.
Voltamos para casa e minha mãe fez um chá para mim, e meu pai me perguntou se eu queria sentar e assistir ao jogo, e eu disse que sim. Vimos meu irmão fazer uma grande partida, mas dessa vez ninguém torceu muito. Todos os olhos estavam em cima de mim. E minha mãe disse um monte de palavras de estímulo sobre como eu estava indo bem na escola esse ano e que talvez o médico me ajudasse a colocar as coisas em ordem. Minha mãe pode ficar quieta e falar ao mesmo tempo quando está sendo positiva. Meu pai não parava de me dar "tapinhas carinhosos". Os tapinhas carinhosos são soquinhos suaves de encorajamento que são dados no joelho, nos ombros e no braço. Minha irmã disse que pode me ajudar a ajeitar o cabelo. Era estranho ver os três dando muita atenção a mim.
― Que quer dizer com isso? O que há de errado com meu cabelo?
Minha irmã ficou olhando, pouco à vontade. Levei as mãos ao cabelo e percebi que boa parte dele se fora. Sinceramente não me lembro de quando fiz isso, mas, a julgar pela aparência do meu cabelo, eu devo ter pego uma tesoura e começado a cortar sem nenhuma estratégia. Faltavam grandes chumaços em toda parte. Como o corte de um açougueiro. Não me olhei no espelho na festa por muito tempo porque meu rosto estava diferente e lutava contra mim. Ou eu teria percebido.
Minha irmã me ajudou a arrumá-lo um pouco e eu tive sorte, porque todos na escola, inclusive Sam e Patrick, acharam que estava legal.
"Chique" foi o que disse o Patrick.
Apesar disso, decidi nunca mais tomar LSD.
Com amor,
Charlie.

~rod

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Carta da Semana #7


30 de dezembro de 1991
Querido amigo,
Um dia depois de ter escrito pra você, terminei O apanhador no campo de centeio. Desde então, li o livro três vezes. Não sei bem que outra coisa posso fazer. Sam e Patrick finalmente voltam para casa hoje à noite, mas não irei vê-los. Patrick vai se encontrar com Brad em algum lugar. Sam vai sair com Craig. Eu os verei amanhã no Big Boy e depois na festa de Ano-novo do Bob.
O que está me empolgando é que eu mesmo vou dirigir o carro até o Big Boy. Meu pai disse que eu não podia dirigir até que o tempo melhorasse, e finalmente ficou um pouco melhor ontem. Gravei minha fita para a ocasião. É chamada "A Primeira Vez que Dirigi". Talvez eu esteja sendo sentimental demais, mas prefiro pensar que, quando eu estiver velho, vou poder olhar todas essas fitas e lembrar das vezes em que dirigi o carro.
Na primeira vez em que dirigi foi para ver a tia Helen. Foi a primeira vez que fui vê-la sem a minha mãe. Fiz com que fosse uma ocasião especial. Comprei flores com o dinheiro que ganhei no Natal. Cheguei a gravar uma fita e a deixei no túmulo. Espero que você não pense que eu sou esquisito por causa disso.
Contei toda à minha vida à tia Helen. Sobre Sam e Patrick. Sobre os amigos deles. Sobre minha primeira festa de Ano-novo amanhã. Contei a ela sobre como meu irmão jogaria sua última partida de futebol da temporada no dia de Ano-novo. Contei a ela sobre meu irmão partindo e como minha mãe chorou. Contei a ela sobre os livros que eu leio. Sobre a canção "Asleep". Contei a ela de quando nós nos sentimos infinitos. Sobre mim mesmo, obtendo minha carteira de motorista. De como minha mãe nos trouxe aqui. E como eu dirigi na volta. E como o policial que aplicou o exame não parecia estranho nem tinha um nome engraçado, o que para mim pareceu trapaça.
Lembro que quando eu tinha acabado de dizer adeus à minha tia Helen, comecei a chorar. Foi um choro muito verdadeiro também. Não do tipo aterrorizado, que eu tenho muito. E prometi à tia Helen só chorar por coisas importantes, porque eu odiaria pensar que chorar como eu sempre faço diminuiria a importância desse choro pela tia Helen.
Depois eu disse adeus e voltei para casa.
Li o livro de novo nesta noite porque eu sabia que, se não o fizesse, provavelmente começaria a chorar novamente. O do tipo aterrorizado, eu quero dizer. Li até que fiquei completamente exausto e tive de ir dormir. Pela manhã, terminei o livro e depois comecei imediatamente a lê-lo de novo. Qualquer coisa para não sentir vontade de chorar. Porque eu prometi à tia Helen. E porque eu não quero começar a pensar novamente. Não como eu fiz na semana passada, não posso pensar novamente. De novo, não.
Não sei se você já se sentiu assim, querendo dormir por mil anos. Ou se sentiu que não existe. Ou que não tem consciência de que existe. Ou algo parecido. Acho que querer isso é muito mórbido, mas eu quero quando me sinto assim. É por isso que estou tentando não pensar. Só queria que tudo parasse de rodar. Se ficar pior, eu terei de ir ao médico. E teria aquela coisa ruim novamente.
Com amor,
Charlie.

~rod

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Carta da Semana #6


23 de dezembro de 1991

Querido amigo,
Sam e Patrick viajaram com a família para o Grand Canyon ontem. Não estou me sentindo muito mal, porque ainda posso me lembrar do beijo da Sam. Agora me sinto em paz e em ordem. Cheguei a pensar em não lavar meus lábios, como fazem na tevê, mas depois achei que isso seria vulgar demais. Então, em vez disso, passei o dia andando pelo bairro. Cheguei a pegar meu velho trenó e meu velho cachecol. Há algo de confortável nisso para mim.
Subi a colina onde costumava usar o trenó. Havia muitas crianças ali. Eu fiquei vendo elas voarem. Dar saltos e apostar corridas. E pensei que todas aquelas crianças um dia iam crescer. E todas aquelas crianças iam fazer as coisas que nós fazemos. E todos eles beijarão alguém um dia. Mas agora andar de trenó era o bastante. Acho que seria ótimo se bastasse um trenó, mas não é assim.
Estou muito contente que o Natal e meu aniversário estejam perto, porque isso significa que terminarão logo, porque já posso me imaginar indo para um lugar ruim aonde eu costumava ir. Depois que tia Helen se foi, eu fui para esse lugar. Foi tão ruim que minha mãe tenha me levado a um médico e eu tenha perdido um ano na escola. Mas agora estou tentando não pensar demais nisso, porque faz com que eu me sinta pior.
É como quando você se olha no espelho e diz seu nome. E chega a um ponto em que nada parece real. Bom, às vezes, eu posso fazer isso. Mas não preciso de uma hora diante do espelho. Acontece muito rápido e as coisas começam a escapulir. E eu abro meus olhos e não vejo nada. E depois começo a respirar com dificuldade, tentando ver alguma coisa, mas não consigo. Não acontece o tempo todo, mas quando acontece fico assustado.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Carta da Semana #5


29 de setembro de 1991

Querido amigo,
Tenho um monte de coisas para contar a você sobre as duas últimas semanas. Muita coisa boa, mas muita coisa ruim também. Mais uma vez, não sei por que isso sempre acontece.
Para começar, Bill me deu uma nota C por meu trabalho sobre O sol nasce para todos, porque ele disse que eu misturo minhas frases. Agora estou tentando não fazer desse jeito. Ele também disse que devo usar as palavras do vocabulário que aprendo na aula, como “corpulento” e “icterícia”. Eu as usaria aqui, mas não acho que sejam apropriadas para um texto como este.
Para falar a verdade, eu não sei onde elas são apropriadas. Não estou dizendo que você não deve conhecê-las. Você conhece, com toda a certeza. Mas é só que eu nunca ouvi ninguém usando as palavras "corpulento" e "icterícia" em toda minha vida. E isso inclui os professores. Então, por que usar palavras que ninguém conhece ou usa normalmente? Essa é uma coisa que eu não entendo.
Acho a mesma coisa de algumas estrelas de cinema a que são terríveis de assistir. Algumas daquelas pessoas devem ter um milhão de dólares pelo menos, e, ainda assim, elas continuam fazendo esses filmes. Elas se destroem com os caras errados. Elas gritam com seus seguranças. Eles dão entrevistas a revistas. Toda vez que eu vejo uma certa atriz de cinema em uma revista, não consigo deixar de sentir pena delas, porque ninguém as respeita de jeito nenhum, e ainda assim elas continuam dando entrevistas. E todos os entrevistadores dizem a mesma coisa.
Eles começam dizendo o que elas comem em um determinado restaurante. "Enquanto mastigava lentamente sua salada de frango chinês, ____ falou de amor." E todas as capas dizem a mesma coisa: ____ revela o que pensa do sucesso, do amor e de seu novo filme/programa de tevê/disco."
Acho que é legal para as estrelas darem entrevistas para fazer com que a gente pense que elas são como nós, mas, para falar com franqueza, tenho a sensação de que é tudo uma grande farsa. O problema é que eu não sei quem está mentindo. E eu não sei por que essas revistas vendem tanto. E não entendo por que as mulheres no consultório do dentista gostam tanto delas. No sábado passado, eu estava no dentista e ouvi essa conversa:

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Carta da Semana #4


6 de outubro de 1991

Querido amigo,
Estou envergonhado. Eu queria ir ao jogo de futebol americano do segundo grau no outro dia e não sei bem por quê. No primeiro grau, às vezes Michael e eu íamos aos jogos, apesar de nenhum de nós ser popular o bastante para ir. Era só um lugar para se ir às sextas-feiras, quando não queríamos ver televisão. Às vezes, víamos a Susan por lá, e ela e Michael ficavam de mãos dadas.
Mas, desta vez, eu fui sozinho porque o Michael se foi, e Susan agora andava com garotos diferentes, e Bridget ainda é maluca, e a mãe do Cari o mandou para uma escola católica, e o Dave dos óculos esquisitos se mudou. Eu era só uma espécie de espectador, vendo quem estava namorando e quem estava de mãos dadas, e eu vi aquele garoto de que lhe falei. Lembra do Nada? O Nada estava lá no jogo de futebol e era uma das poucas pessoas que não era adulta que estava assistindo realmente ao jogo. Quero dizer, estava assistindo ao jogo mesmo. Ele gritava coisas:
"Vamos lá, Brad!"
Esse era o nome de nosso quarterback.
Agora, normalmente sou muito tímido, mas o Nada parecia o tipo de cara com quem você pode ir a um jogo de futebol, apesar de você ser três anos mais novo e não ser popular.
― Ei, você está na minha turma de trabalhos manuais! ― Ele era muito simpático.
― Eu sou o Charlie ― disse eu, sem timidez demais.
― E eu o Patrick. E esta é Sam. ― Ele apontou para uma garota muito bonita perto dele.
E ela se voltou para mim.
― E aí, Charlie? ― Sam tinha um sorriso muito bonito.
Os dois me disseram para sentar, e pareciam falar a sério, então sentei. Ouvi o Nada gritando para o campo. E ouvi sua análise das jogadas. E imaginei que esse era o tipo de cara que conhecia futebol americano muito bem. Ele realmente conhecia futebol, como meu irmão. Talvez eu devesse chamar o Nada de "Patrick" de agora em diante, uma vez que agora ele se apresentou a mim e é assim que a Sam o chama.
Aliás, Sam tem cabelos castanhos e olhos verdes muito lindos. O tipo de verde que não revela muita coisa sobre a pessoa. Eu teria contado isso a você antes, mas, sob as luzes do estádio, tudo parecia meio desbotado. Foi só quando fomos para o Big Boy, e Sam e Patrick começaram a fumar, que eu dei uma boa olhada nela. O que foi legal no Big Boy foi o fato de que Patrick e Sam não faziam somente piadas particulares, me obrigando a tentar acompanhá-los. De jeito nenhum. Eles me fizeram perguntas:
― Quantos anos você tem, Charlie?
― Quinze.
― O que você quer fazer quando crescer?
― Ainda não sei bem.
― Qual é a sua banda favorita?
― Acho que os Smiths, porque adoro a música "Asleep", mas eu não tenho certeza porque não conheço as outras canções deles muito bem.
― Qual é o seu filme favorito?
― Não sei bem. Eles parecem todos iguais para mim.
― E seu livro favorito?
― Este lado do paraíso, do E Scott Fitzgerald.
― Por quê?
― Porque foi o último que li.
Isso fez eles rirem, porque sabiam que eu estava sendo sincero, não estava me exibindo. Depois eles me contaram quais eram os favoritos deles e eu fiquei sentado em silêncio. Comi torta de abóbora porque a moça disse que estava na estação, e Patrick e Sam fumaram mais cigarros.
Olhei para eles e pareciam muito felizes juntos. Um tipo de felicidade legal. E apesar de eu ter achado a Sam muito bonita e legal, e ela ser a primeira garota que eu já quis convidar para sair quando pudesse dirigir, não me importei que ela tivesse namorado, especialmente se ele era um cara legal como o Patrick.
― Há quanto tempo vocês estão juntos? ― perguntei.
Então eles começaram a rir. E riram muito mesmo.
― O que tem de tão engraçado nisso?
― Nós somos irmãos ― disse Patrick, ainda rindo.
― Mas não parece ― respondi.
E aí Sam explicou que eles na verdade eram meio-irmãos, porque o pai de Patrick se casou com a mãe dela. Fiquei muito feliz em saber disso porque eu queria muito convidar a Sam para sair um dia desses. Realmente queria. Ela era muito legal.
Mas fiquei com vergonha, porque naquela noite tive um sonho estranho. Foi com Sam. E nós dois estávamos nus. E suas pernas estavam jogadas nas laterais do sofá. E eu acordei. E nunca tinha sentido nada tão bom na minha vida. Mas eu também me senti mal, porque vi Sam nua sem a permissão dela. Acho que eu devia contar a Sam sobre o sonho, e espero realmente que isso não impeça que talvez a gente faça nossas piadas particulares. Seria muito legal ter um amigo novamente. Gostaria disso mais do que de uma namorada.
Com amor,
Charlie.

~rod

domingo, 24 de novembro de 2013

Carta da Semana #3


14 de outubro de 1991

Querido amigo,
Você sabe o que é "masturbação"? Acho que você deve saber porque é mais velho que eu. Mas, de qualquer forma, eu vou contar a você. Masturbação é quando você esfrega seus genitais até ter um orgasmo. Uau!
Eu pensava que naqueles filmes e programas de teve quando eles falavam de fazer uma pausa para o café, que eles deviam ter uma pausa para a masturbação. Mas, pensando bem, acho que isso diminuiria a produtividade.
Só estou sendo engraçadinho aqui. Eu não quis dizer realmente isso. Só queria fazer você rir.
Eu disse a Sam que sonhei que ela e eu estávamos nus no sofá, e comecei a chorar porque me senti mal, e sabe que ela fez? Ela riu.
Não um riso maldoso, isso não. Um riso caloroso, realmente legal. Ela disse que pensava que eu estava brincando. E disse que estava tudo bem eu ter sonhado com ela. E eu parei de chorar. Sam depois me perguntou se eu a achava bonita, e eu disse que achava que ela era "adorável". Sam, então, olhou bem nos meus olhos.
― Você sabe que é novo demais para mim, não é Charlie? Você sabe disso, né?
― É, eu sei.
― Eu não quero que você perca seu tempo pensando em mim desta forma.
― Eu não penso. Foi só um sonho.
Sam então me deu um abraço, e foi estranho, porque minha família nunca se abraçou muito, exceto minha tia Helen. Mas, depois de alguns segundos, eu pude sentir o perfume de Sam, e pude sentir seu corpo contra o meu. E eu recuei.
― Sam, estou pensando em você daquele jeito.
Ela apenas olhou para mim e sacudiu a cabeça.
Depois colocou o braço em torno dos meus ombros e caminhou comigo pelo corredor. Encontramos Patrick do lado de fora porque às vezes eles não gostam de ir à aula. Eles preferiam fumar.

domingo, 17 de novembro de 2013

Carta da Semana #2





18 de setembro de 1991

Querido amigo,
Já lhe contei que estou na turma de trabalhos manuais? Bom, eu estou na turma de trabalhos manuais e é minha aula favorita depois da aula de inglês avançado de Bill. Escrevi o trabalho sobre O sol nasce para todos na noite passada e entreguei a Bill esta manhã. Ficamos de falar sobre isso durante o almoço de amanhã.
A questão, contudo, é que tem um cara na minha turma de trabalhos manuais chamado “Nada”. Não estou brincando. O nome dele é “Nada”. E ele é hilário. “Nada” ganhou esse nome quando as crianças o sacaneavam no primeiro grau. Acho que ele é um veterano agora. Os garotos começaram a chamá-lo de Patty, quando o nome dele na verdade é Patrick. E “Nada” disse aos garotos: “Olha só, tanto faz que vocês me chamem de Patrick ou de nada”.
Assim, os garotos começaram a chamá-lo de “Nada”. E o nome acabou pegando. Ele era novo no bairro na época porque o pai dele tinha se casado pela segunda vez com uma mulher dessa região. Acho que vou parar de colocar aspas em Nada porque é chato e interrompe o fluxo do que escrevo. Espero que você não ache difícil me acompanhar. Terei o cuidado de diferenciar se for necessário.
Então, na aula de trabalhos manuais, o Nada começou a fazer uma imitação muito engraçada de nosso professor, o Sr. Callahan. Ele chegou a pintar costeletas com um lápis de cera. Hilário.
Quando descobriu o Nada fazendo isso perto da lixadeira, o Sr. Callahan riu, porque o Nada não estava fazendo a imitação por maldade nem nada assim. É só que era engraçado. Eu queria que você estivesse lá, porque eu nunca ri tanto desde que meu irmão foi embora. Meu irmão costumava contar piadas de polonês, o que eu sei que é errado, mas eu bloqueava a parte do polonês e ouvia as piadas.
Era hilário. Ah, aliás, minha irmã me pediu a fita “Folhas de Outono” de volta. Agora ela ouve a fita o tempo todo.
Com amor,
Charlie.

~rod

domingo, 10 de novembro de 2013

Carta da semana #1




25 de agosto de 1991

Querido amigo,
    Estou escrevendo porque ela disse que você me ouviria e entenderia, e não tentou dormir com aquela pessoa naquela festa, embora pudesse ter feito isso. Por favor, não tente descobrir quem ela é, porque você poderá descobrir quem eu sou, e eu não gostaria que fizesse isso. Chamarei as pessoas por nomes diferentes ou darei um nome qualquer porque não quero que descubram quem sou eu. Não estou mandando um endereço para resposta pela mesma razão. E não há nada de ruim nisso. É sério.

    Só preciso saber que existe alguém que ouve e entende, e não tenta dormir com as pessoas, mesmo que tenha oportunidade. Preciso saber que essas pessoas existem.

    Acho que, de todas as pessoas, você entenderá, porque acho que você, entre todos os outros, está vivo e aprecia o que isso significa. Pelo menos eu espero que seja assim, porque os outros procuram por você em busca de força e amizade, e é tudo muito simples. Pelo menos foi o que eu soube.

    Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.

Com amor, 
   Charlie

~rod